Remetente: Presente
Destinatário: Passado
"Ao passado escrevo, com a esperança de que no futuro, esta presente carta, seja lida.
Ao passado entrego as palavras, que naquele fim da linha, jamais consegui dizer. E ao presente, mostro, o que naquele momento senti.
Porque neste momento, que escrevo, as palavras ganham forma.
Os caminhos que segui, foram na sua grande parte, os mais fáceis. Sei que não gostavas, sei que jamais me perdoarás, por todos os caminhos fáceis que segui. Todas as rotas facilitadas, que escolhi.
Ia contra tudo o que acreditavas, tudo o que defendias.
Como te dizia, eu fora criado, de maneira fácil. Era me dado este Mundo e o outro, sem contestações, sem criticas, sem obrigações. Tinha o que queria e o que não queria.
Mas para além de todos os bens materiais, tinha algo mais. MEDO.
Este invadiu-me, fez de mim, um fraco sem coragem para lutar por aquilo que realmente queria, por alguém que realmente amava. Não posso usar os fantasmas do meu passado, como desculpa, porque não passavam, exactamente, de passado. Mas não soube lidar com isso, tinha medo de que aqueles que outrora me sussuraram ao ouvido, voltassem uma vez mais e que te levassem também, da forma mais fria e austera possível.
Não podia lutar contra o teu orgulho, muitas vezes cruel, porque afinal que forças tinha eu? Do meu lado, só tinha um aliado, o Medo. E de todo, que não o usaria para lutar contra ti. Em vez disso, impús um triste e doloroso fim de linha, as carruagens foram abrandando, até que inevitavelmente pararam. E aí, ambos saímos, de costas voltadas. Aos poucos e poucos, os momentos foram saindo, as palavras carinhosas seguiram-se como também tudo aquilo, que fazia de nós, "Um Nós", por ultimo restou a saudade, essa decidiu ser a ultima a sair, vagarosamente.
E hoje, decidi por descargo de consciência, regressar a esse fim de linha, apenas para ver, se encontrava algo ainda preso nestas mesmas carruagens do nosso passado, que assim que pararam, jamais funcionaram, juntas.
Não queria deixar de dizer, que cresci e de certo sei, que também cresceste.
A esta hora, já estás no teu ultimo ano de curso e como nunca mais falámos (amigavelmente), não sei quais eram os teus planos a seguir, também não pensavas muito no a seguir, sempre fui aquele futurista lunático, sempre a pensar o que fazer a seguir e para que saibas ainda assim continuo, louco.
Sei que breve, chegará o dia, de nós trocarmos um olhar, uma palavra, talvez mesmo, um sorriso.
Se esse dia não chegar, é porque o perdão nunca fora aceite e quanto a isso, nada mais me resta a fazer ou a dizer.
Acabei por descobrir, que pertencemos a "Mundos Diferentes", Mundos que um dia complementaram-se e que no dia a seguir, viram que funcionam melhor, separados.
Termino, como comecei,
Ao passado escrevo, com a esperança de que no futuro, esta presente carta, seja lida.
André"
Mr.London
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